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Projeto de escritor. To sempre de malas prontas pra lugar nenhum por que até hoje não achei casa alguma dentro de mim. (Pra saber mais, clique ali em Quem eu sou, à direita)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ensaios sobre Ana


Ana nunca entendeu, ou nunca quis. Aliás, eu nunca entendi Ana. Ela é uma dessas pessoas que foge de qualquer relação que possa ter um aprofundamento emocional. Seu sorriso é doce como cereja, seu estilo é incomum, diferente das outras meninas. Poderia dizer mulher, mas pra mim ela sempre vai ser menina. Ana é tão menina quanto mulher, com as reclamações de uma pessoa que entrou na vida adulta e alegrias infantis, de gente pequena. 
Nunca saberei dizer se foi Ana que me encontrou ou eu que encontrei ela, e a sua ausência me remete ao sentimento protetor de pai, que zela pela filha que saiu pra conquistar o mundo, com suas roupas nada convencionais e cabelo tingido. 'Cuidado Ana!', o mundo não é tão colorido assim, cuidado menina, não vá se perder por aí de mim.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Ensaios sobre um sábado à noite

Alfredo tem 20 anos. Mora em Porto Alegre sozinho, em um apartamento minúsculo. Pra ele é mais um sábado a noite em casa, sem sair, sem festa e sem balada. Toma água vendo televisão, acende seu cigarro e repensa sua história de vida. 
Cursa Publicidade, frustrado. Queria trabalhar na criação, acabou caindo no atendimento. Filho único, sempre foi mimado. O mais perto de um ser humano que não fossem seus pais, foi sua namorada. Já faz tempo que acabaram e até hoje Alfredo parece anestesiado por isso. Sonha com ela às vezes e pensa em ligar, mas toda vez que cria coragem se lembra de que ela tem um namorado, fazendo seu mundo desabar e sua coragem esvair. Ainda sente falta do carinho dela. Consegue umas transas aqui, outras acola, mas nada demais, nenhuma ligação emocional com ninguém. 
Ele não se importa. Já se acostumou com a rotina. Porto Alegre pra ele é um lugar cheio de almas vazias. Nada o atrai. Apenas quer acabar a faculdade e arranjar um trabalho bom, que pague bem. Sem sonho é sair daquele cubículo, tão pequeno quantos os seus vínculos emocionais. A vizinha do andar de baixo as vezes mexe com ele: 'E as garotas, meu filho?'. Mal sabe ela que a vida amorosa de Alfredo não existe mais, nem mesmo ele. Mais parece um fantasma vagando pelo quarto apertado do que um ser humano. As janelas fechadas não permitem a claridade entrar, mas durante a noite ele observa a cidade pela sacada pequena. Acende mais um cigarro e se distrai com as luzes da cidade que nunca dorme. É apenas mais um sábado e para Alfredo o dia não reserva nada, ao contrário da música de Lulu Santos. 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ensaios de um novo amor

A gente tem um cuidado especial quando uma pessoa entra na sua vida, mesmo que ela você nem saiba como ela entrou. No meu caso, ela está nas entrelinhas, sem muito murmurinho nem essas coisas oficiais. Relacionamentos baseados nas redes sociais não costumam dar certo, e até prefiro ser discreto para ter minha privacidade. Mas como eu sou um romântico tolo, eu não consegui ficar sem falar sobre você.
 É a poesia viva e em andamento. Você é tão bagunçada, garota. Devo ter te achado entre teus livros desarrumados e folhas espalhadas pelo quarto. E é isso que eu amo em você. Tu e as tuas indecisões, decisões e desistências de última hora. Mas arranja um horário pra mim, eu prometo que não te faço esperar e vou embora na hora certa, embora se você quiser ficar mais um pouco, eu não dou bola. Não dá nada, é um belo momento para ficar de bobeira, então arranja um tempo pra gente desperdiçar, você não vai se arrepender. 
Pode espalhar suas coisas por aí, não se importe com a bagunça, a gente dá um jeito. Se quiser pode-se mudar em definitivo, espaços a gente cria, mas o mais importante você já tem e não precisa abdicar. Quase nem vi você chegar e muito menos quero te ver partir. Pode ficar o tempo que quiser, deixa os compromissos pra lá. Essa é sua casa agora se quiser e você, é a morada dos meus sonhos. Não quero aluguel nem nada, apenas um pouco de carinho e um pouco de você. Se tiver algo muito importante, vai, mas volta. Enquanto isso fica um pouco mais, por favor. Deixei um texto ao lado da xícara de café, espero que goste.

domingo, 25 de novembro de 2012

(Ensaios)

Por mais brega que seja dizer isso, é verdade; a vida é um ensaio. Desde nosso nascimento até a morte. Somos um ensaio, um protótipo inacabado de seres humanos, com nossos defeitos e estranhezas, com nossos rastros, poluídos de memória encontradas em abraços. 
A vida é um ensaio conturbado andando na janela de um ônibus em alta velocidade carregando passageiros de todos os lugares. Os ensaios são nossas experiências e vivências, nossos amores e desamores, alegrias e tristezas, caminhos trilhados à barco, à pé, de passos tão largos. Um debute entre buarquizar e facilitar. Difícil demais de entender e ainda mais, de explicar.
Esse é meu ensaio. Ensaios sobre minha vida, sobre o que vivi e o que pensei. Sobre o que sonhei e o que restou dos meus sonhos. Das minhas dores, desamores entre os corpos que me apoderei e seus sabores. Esse é um ensaio, em forma de retratos vivos de assuntos tão debatidos no cotidiano, afinal, esse é o meu cotidiano. Entre tudo que eu disse e gostaria de dizer e só tive oportunidade agora, aqui, desse jeito. Meio brega como disse ali na primeira linha, emocionante como o nosso nascimento, cinzento como nossa morte e inacabado como tudo que deixei pra trás. Bem-vindos aos meus ensaios.

domingo, 18 de novembro de 2012

Deixa pra depois

Deixa pra lá. Ou coloca em um canto aí. Não quero pensar muito, nem refletir sobre essas coisas. Também não quero escrever sobre isso ou aquilo, quero apenas deixar pra depois aquilo que não é mais necessário. Coloca um móvel aqui, outro lá, troca meia dúzia de coisas do lugar. Esconde aquilo ali, tapa aquela memória lá, simplesmente não tem o que pensar. 
Cabeça vazia demais, morada perfeita para pensamentos. Aloja uns ali, deixa outros de fora. Não precisa deixar tudo em ordem, desde que não fique muito desorganizado. Mas não esquece de barrar aqueles pensamentos sobrecarregados, viu? Se esqueça, cria um lugar imaginário e coloca nesse pedestal tudo o que é bom, ponha aquele carnaval de pensamentos, algumas rosas e aqueles odores e sentimentos cheios de sol. 
Tá tudo certo então? Apenas mais um espacinho aqui reservado para a sua vida. Não vai se esquecer do principal, de você mesmo. Guarda um lugar aí também, o resto deixa pra depois.

(criei um tumblr)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

(Só)


Uma cachoeira inteira caindo sob meu corpo. Meus olhos estão fechados e eu não consigo abri-los. Suas mãos, o meu afago, nossa conexão, olhos entrelaçados. Extremidades queimando, beijando seu lado frágil, o dia hoje dança e a música não para. Ela continua repetindo, sem parar. O seu beijo me leva até o norte de mim. As cores lá do céu, o obelisco a nossa frente, o vendaval de abraços. Cola esse corpo no meu, essa pele tão branca quanto porcelana. 
Estou em queda livre. Caindo para o nada, sem saber aonde meu corpo vai parar. Ainda assim não sou o único. Sua mão não me deixa sozinho. As brigas podes esperar. Suas incertezas, a gente deixa pra lá. Podemos fazer tudo, apenas não me deixa de lado. Dessa vez, eu não estou só. Só nos dois. Só os dois. Só à dois. Só.

Em reparos


Eu nunca estarei completo. Eu nunca estarei por inteiro. Minhas fachadas estão abertas, eu estou em concerto.
Sou uma reforma ambulante, deixando pelo caminho pregos e pedaços. Eu estou em reparos e sempre estarei. Não estou lá, mas estou chegando perto do que espero. Uma obra mal feita, feita às pressas. Em concerto, não totalmente completo, porém um dia estarei. Em manutenção, não me use, não olhe muito: eu estou em reparos.


sábado, 10 de novembro de 2012

(fast) life

Não sei vocês, mas este ano parece estar passando muito rápido. Apesar dos dias as vezes serem longos, as semanas são curtas, não sobrando tempo para nada. Quando vejo no relógio, já passei da hora de dormir e lá se vai mais uma madrugada cheia, que dá lugar a uma manhã sonolenta e assim passa o dia. 
Quando crescemos e começamos a entrar na vida adulta não sobra mais tempo para conciliar tudo aquilo que queremos fazer. Precisa-se fazer escolhas, entre diversão e compromissos, festas ou trabalhos, tempo para si mesmo ou tempo para os outros. 
Não me agrada ser o calendário do ano passado, e com tanta coisa em mente, falta até tempo para refrescar a memória. Compromissos, atividades, textos a fazer, provas para estudar. Não faltar no trabalho, conciliar vida afetiva, profissional, familiar e todas as outras possíveis. Não é fácil, e nem tá fácil para ninguém. Ao menos o ano está quase acabando, mas é melhor tomar cuidado, se descuidar o olho do calendário, se passam mais 2 ou 3.

*me desculpem a falta criatividade e o texto medíocre, é o resultado de poucas horas de sono combinada com metade do dia divididas nas estradas e ônibus

domingo, 4 de novembro de 2012

Aceitar

A coisa mais difícil de se fazer é aceitar. Aceitar é muito maior do que perdoar, acreditar ou desistir. Envolve muito mais confiança do que no perdão, muito mais fé do que no acreditar e mais força do que na desistência. Aceitar é uma qualidade. Aceitar é entender, compreender e não julgar. Poucos de nós sabem fazer isso. É deixar que as ondas do mar levem o ressentimento, a dor, a tristeza ao mesmo tempo em que o sol se poe renovando a força desse hábito. Não quer dizer que você esqueceu ou que fingiu que tal coisa não aconteceu, mas sim respeitar e deixar para trás.
Alguns fazem dessa palavra um lema, outros tentam em vão cumprir o seu significado. Eu tento do meu jeito, meio errado, meio errante, meio bagunçado, meio distante, um pouco forçado e meio maluco. Tento e sempre tentarei aceitar as pessoas e coisas que passaram pela minha vida e as marcas que deixaram em mim. Elas estão bem expostas, parecem cicatrizes, mas não as escondo mais, eu as aceitei. 
Aceitar é uma das palavras mais importantes e difíceis de pronunciar. Não é somente pronunciá-la, é dar um sentido. Se fosse algo vulgar, não seria essa a palavra por trás do casamento, depois de todo aquele juramento. É aceitar, acima de qualquer coisa.

Monumental



Evito falar de futebol aqui, meu fanatismo não me permite ser imparcial. Mas, acredito que eu precisava falar sobre isso. Andei pensando e pareço aquelas meninas bobas, prontas para falar do seu primeiro beijo.
Quarta-feira passada fui em uma excursão do Grêmio. Iríamos visitar a Arena e ir no jogo contra o Barcelona. Confesso que minha empolgação era pela visitação e somente por esse motivo. E não me decepcionei: é algo incrível. Um estádio nos moldes europeus, um gigante, uma obra-prima está emergindo aos nossos olhos. E em ritmo acelerado: são mais de 2 mil trabalhadores, que não tem feriados ou finais de semana, trabalhando 3 durante turnos.
Após isso, fomos ao Olímpico, que me permita dizer, pareceu tão pobre depois de ter passado pela bela Arena gremista. É claro que o nosso velho estádio tem seu charme e sua história, mas ele ficará para o passado, para a história e a partir de dezembro, casa nova. Que o Olímpico me perdoe, mas monumental mesmo é a Arena.