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Projeto de escritor. To sempre de malas prontas pra lugar nenhum por que até hoje não achei casa alguma dentro de mim. (Pra saber mais, clique ali em Quem eu sou, à direita)

domingo, 24 de novembro de 2013

Quem sabe

Minha irmã e Porto Alegre sempre viveram um caso de amor. A capital sempre a encantou desde nossas esporádicas idas com a finalidade de visitar nossa avó. Vó Rita estava doente, tomada do câncer e resistira por anos. Enfrentou o câncer em uma das mamas. Depois foi a outra mama que estava com células cancerígenas. E então se espalhou por todo o corpo. Lembro-me de nossos passeios pela Redenção e aos shoppings. Na época, um menino ainda, ficava abismado com aquele monumento de três andares, escadas rolantes e salas de cinema enormes.
No meio de 2006 – ou 2007, não lembro bem agora -, ela se mudou com uma amiga para lá. Alugaram um apartamento, começaram a estudar para os vestibulares lá e iniciaram a vida adulta. Publicidade era o que ela queria. A amiga, Farmácia. Após dois anos de estudo, a amiga de minha irmã passou. O curso técnico em Publicidade foi a oportunidade que minha irmã encontrou após insistentes tentativas frustradas. Ela cursava de noite, trabalhava de dia e ainda encontrava tempo para estudar. O objetivo eram as federais, de preferência, a UFRGS.
Na minha memória ficaram as cenas de minha irmã e eu inventando coisas. Coisas simples, quase sempre algo intangível. Eram brinquedos, tínhamos grande imaginação. Tivemos uma infância boa. Por certo tempo pensei em cursar Publicidade assim como ela. Achava legal saber usar programas como Photoshop, edição de vídeos, desenhar e etc. Ela seguiu com a ideia e eu não sabia o que escolher. Ela se decepcionou com o curso e com o mercado. Pensou em voltar para a casa. Eu escolhi o Jornalismo em 2011.
Hoje vejo que não errei. Ser publicitário não é pra mim. Recentemente estive em uma oficina de storytelling. Esses termos como case, branding, marketing me confundem. Já pensei em ser ilustrador de uma agência, mas não faria sucesso. Quando vejo o filme Beginners – obra onde o personagem principal é um ilustrador frustrado em uma agência -, me pego pensando se não seria eu aquele lá caso tivesse optado pela Publicidade.
Na mesma oficina de storytelling foi passado a realidade do mercado. Está saturado. Tá difícil pra todo mundo. O publicitário convencional dos anos 80 e 90 está ultrapassado. Venho visto muitas críticas na forma com que as agências vêm lidando com o mercado e clientes. O modelo se estagnou e as pessoas estão engessadas pelo que foi passado nas últimas duas décadas. Quem sabe eu faria sucesso como publicitário nos anos 80 ou 90 quando precisavam de um ilustrador. Hoje não, somente nostalgia por minha parte.

Tem resenha minha no Raplogia, é só clicar aqui

O jornal Unicom também pode ser lido online, clicando aqui. Lembrando que tem conto meu, inclusive postado já anteriormente no blog nesse link.

domingo, 17 de novembro de 2013

Milonga

         Quem dera o mundo fosse menos cinzento, mais plausível de se viver. Quem dera viver fosse um ofício menos árduo e mais belo. Quem dera eu pudesse encontrar meu lugar nesse meio de possibilidades infinitas. Quem sabe eu vou ficar por aqui, olhando pela janela, mirando o horizonte embriagado por essas paixões, respirando meus desencantos. Num plágio de uma bela melodia tocando e atiçando a curiosidade dos meus ouvidos. Até traz a bela porém efêmera ideia de que viver é bom e não para as coisas. Não sou Drummond, mas sinto o mesmo. "Eu não sou as coisas e me revolto".

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Farrapos

            Todos os caminhos pareciam me levar a aquele prédio de má manutenção. No meio da caminhada retomava meus pensamentos e motivos para estar adentrando aquela área. A calçada concentrava todos os tipos de lixos, até humanos. O bairro pobre e sujo parecia uma cidade medieval. Meus passos largos e rápidos eram avistados pela vizinhança. Os olhares receosos dentro das casas, por trás das cortinas. Eu rumei àquele prédio em ruínas, um reflexo do meu estado emocional. Coloco para dentro de mim todas as dúvidas que se agarravam nas minhas roupas desesperadas para sair. Os olhos pesados e a respiração ofegante ficavam mais fortes com o barulho dos passos naquela escada de tinta verde descascada. O primeiro andar já tinha sido percorrido e faltava mais um.

domingo, 3 de novembro de 2013

lê minski


Eu não gosto muito de poesia, confesso. Nunca me chamou atenção e até então, só havia lido Caixa de Sapatos do Carpinejar de poesias e gostei bastante. Até prefiro o lado poeta de Carpinejar do que o cronista propriamente dito. Acho que ele acaba por repetir excessivamente até se tornar chato. Mas isso depende bastante de cada um e do seu estilo. 
Comprei faz pouco tempo o Tudo Poesia do Leminski, Companhia das Letras. Não tenho o que dizer. É fantástico o livro. Toda a obra de Leminski reunida ali. Lembro-me de ter visto aquela capa laranja e o bigode vistoso e ter planejado na primeira oportunidade em que tivesse dinheiro, compra-la. Tô na página 300, por aí, é a última parte do livro. Cada poema me faz pensar ou me tira um sorriso do rosto. Gostei e recomendo. Pena Leminski ter ido embora tão cedo.