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Projeto de escritor. To sempre de malas prontas pra lugar nenhum por que até hoje não achei casa alguma dentro de mim. (Pra saber mais, clique ali em Quem eu sou, à direita)

domingo, 22 de setembro de 2013

Quiçá

Bom, tenho consciência de que o nível aqui mostrado está bem baixo. Isso se dá por algumas razões como a falta de tempo e outros contratempos que me impedem de poder escrever todos os dias e quiçá colocar conteúdo aqui. Grande parte da minha produção está indo para um projeto de livro. São contos, mais extensos, alguns de até seis páginas. Não coloco aqui pois a grande maioria das editoras pediria para retirar o conteúdo. Eles exigem conteúdo original, nunca antes publicado. Assim como prêmio literários. 
Mas enfim, domingo que vem tem um texto melhor do que este autoexplicativo. Ainda vou pensar se escrevo e coloco algum conto aqui. Quem sabe, né? Por falar nisso, ando lendo Clube da Luta e Barba Ensopada de Sangue. Dois ótimos livros, principalmente o segundo. A narrativa de Daniel Galera se dá de forma sutil e envolvente. Ao mesmo tempo em que estou lendo ambos, também leio Ensaio sobre a cegueira. Acabei por descobrir (tardiamente) que Saramago é incrível. E tudo isso está refletindo na minha literatura (para melhor). E enfim, espero poder mostrar pra quem lê aqui essa melhora.

domingo, 15 de setembro de 2013

Alegria

Deixa por aí. Coloca em qualquer lugar. Entre a cabeceira de madeira ou nos livros da estante de ferro da parede. Esconde entre a poeira dos papéis e a melancolia ao lado dos meus desenhos. Por mim tanto faz. Já fiz tanto que agora tanto faz. Escolhe onde querer colocar, pois pra mim, tanto faz. Já não importa há muito tempo. Sem graça. Esse quarto já esquecido, escurecido onde tudo eu organizo a minha bagunça. Não tem jeito mesmo. Já tive tempo, hoje não tenho. Nem por isso era diferente. Mas pega um café. Açúcar ou adoçante? Entra pra ver. Entra pra enxergar o meu mundo. Aconchega-te entre os meus lamentos e a cadeira velha que range ao mexer para os lados.
Olha os discos tão parados. Tão solitários a espera de um ‘play’. Ó os brinquedos. Cansados, pensativos, já se foi o tempo deles. Que nostalgia. Antigamente isso parecia bem mais familiar. Antigamente isso nem parecia um quarto. Era parte de mim. Parte essa feliz. Hoje virou meu muro de lamentações. É a válvula de escape. Catarse. Como eu queria que não fosse assim. Poderia valer, ser menos ‘tanto faz’. A gente cansa de quem escolheu ser e ter ao seu lado. Essa exaustão causada pelo desgaste natural que o tempo traz a tudo aquilo que é nosso. É isso. Nós cansamos de ser feliz. Colocamos em qualquer lugar. Mas não importa mais. Tanto faz. Ficou pelo caminho. Como tantas outras coisas ficaram a frente da minha alegria. 

domingo, 8 de setembro de 2013

Freestyle

        Você pode ver a cidade caindo no caos. Cidade má, cidade suja, em frangalhos. Os ladrões estão fora das cadeias lotadas e os negros nas favelas. Os quarteirões e esquinas cheiram a prostituição, controlada por traficantes donos de espeluncas e empresários tão sujos quanto os então rios, transformados em esgoto. As ruas trazem uma leve agonia no ar. Infectada pelos sem-teto, cansada de dar abrigo aos filhos das ruas. As ruas pedem perdão, não conseguem mais aguentar o peso dos enormes arranha-céus. O sistema decai e mostra a verdadeira face da sociedade que vivemos. Nós somos escravos vivendo os nossos sonhos. Sonhos medíocres, realidades podres, padrões pequenos. Somos encurralados em nossos quintais, pagando hipotecas e suando para um patrão dar chibatadas em nossas costas nuas. A ditadura como nunca se viu. O regime, não militar, mas consentido por todos. A ditadura da beleza, o controle da tecnologia. Escravos.
            Assim que a noite cai, façamos nosso ziguezague percorrendo as ruas sujas e apertadas. Entre bueiros e sinaleiras. Lixos revirados, cães andarilhos, olhares de medo e tristeza escondido entre um cobertor e um papelão fétido. As lâmpadas presentem a enorme escuridão que recairá em cima de todos nós, civis e piscam, como um aviso de que a pior tempestade está por vir e trará estragos que nem mesmo obras superfaturadas irão contornar. Esse furacão será interior e entrará na mente do mais simples pedreiro até o viciado em heroína do bairro pobre. Elementar que iremos bradar as bandeiras de um país que não nos representa, aclamando uma nova era, revolução. Seremos tão escravo quanto os negros traficados na África. Batizaram-nos com uma nova consciência. Sem direitos, cen-sura. Iremos gostar de tudo aquilo e agradeceremos dando nossos bens, partilhando nossas alegrias em redes sociais. Tornaremos-nos zumbis. A tecnologia irá sugar tudo, até mesmo nossas companhias. Ela, a verdadeira responsável por essa constante sensação de solidão. Os médicos irão receitar os antidepressivos que seus filhos tomam. 
           As perspectivas se esvaem aos poucos. A esperança não passará de uma nuvem passageira dentre o céu escuro deixando-nos no breu em plena luz do dia. Seremos cegos. Cegos. Cegos e surdos. A mídia irá reproduzir sem ouvidos e o governo irá falar pelo povo. Eu não sei o que realmente importa agora. Odiávamos tanto a alegria partilhada então iremos provar da tristeza coletiva. Nada mais restará. Nada mais importará. Como hoje já não importa.