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Projeto de escritor. To sempre de malas prontas pra lugar nenhum por que até hoje não achei casa alguma dentro de mim. (Pra saber mais, clique ali em Quem eu sou, à direita)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Viajante: Diário de Bordo

A chuva cai lá fora. É o segundo dia seguido que só chove. Por isso quase não saímos de casa, no máximo, nos limitamos a idas ao supermercado. Acabei por vez me confinando ao conforto dessa casa, que para mim, ainda é estranha. Ainda não me sinto confortável na hora de dormir, não é das mais organizadas, mas convenhamos, é uma casa de praia, não se pode esperar algo parecido com um hotel 5 estrelas.
Por estar longe do conforto de casa e das redes sociais, o que me resta são boas leituras, música no celular e a companhia dos meus pais e da Mel. Por falar nela, essa pequena cachorra tem me ensinado muito. Versátil, ela se adapta e adota qualquer residência como seu lar desde que seus donos estejam com ela.
Tem chovido demais. O que me resta, é viajar. Sim, viajar. Fazer uma trilha introspectiva, caminhar pelos meus sentimentos e se aventurar pela minha selva de assuntos pendentes. E essa, tem sido a viagem mais emocionante e difícil de ser percorrida. Nos meus poucos 19 anos de idade, eu nunca tinha ido tão fundo quanto agora. É como mergulhar em um mar profundo, percorrer um interminável deserto, caminhar por um campo interminável, onde não é possível ver o horizonte. E para isso não existe táxi, avião ou ônibus, é apenas para mochileiros.

Por me restar apenas a vista da janela, eu me recolho e olho para dentro, dentro de mim. Em busca de algo que eu não sei, que não conheço. É preciso ser um desbravador, ter a coragem de Napoleão e a astúcia de Simon Bolívar. Essa viagem pode durar a minha vida toda. Talvez eu ache algo, talvez eu não encontre nada. Pode ser que eu me decepcione com o que encontrei, pode ser que não. De qualquer forma, eu estou embarcando e sem previsão de volta.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

8

Serão oito dias sem postagens aqui. Durante esse período vou estar na praia. Não sei bem o que falar, mas prometo que voltarei com a criatividade em alta e bons textos.

Quem Eu Fui (E O Que Passei)

Odeio ser clichê, e sei que nessa época do ano brotam textos de retrospectiva, principalmente no Facebook, todos tão iguais, exaltando suas vitórias e por vezes alguma perda ou erro de percurso. As pessoas são hábeis em fazer de suas experiências medíocres grandes acontecimentos, em todas as redes sociais, sem distinção. 
Mas a questão em si não é essa. Eu tenho essa mania de analisar e repensar tudo que faço e fiz. Por essas e outras as vezes acabo no mesmo lugar. Mesmo assim, eu acho que não poderia ficar sem falar, até porque eu tenho pensado muito em como escrever e entender tudo que passou. Esse é uma tentativa (frustrada) de narrar tudo que aconteceu:

Eu comecei 2012 como um ponto de interrogação, e acabo ele da mesma forma. Iniciei sendo uma incógnita para mim mesmo, passei para um ponto de exclamação. Percebi que não passava de uma vírgula, mesmo tendo passado por tantos pontos finais. Acreditei ser como reticências, e hoje sou novamente aquela interrogação do começo: ainda não sei quem eu sou, não sei o que estou fazendo e nem se é certo ou errado. Passei a perceber algumas coisas que me fazem mal e outras que me fazem feliz. Ainda não sei muito, ainda não aprendi tudo. Não consegui absorver todos os acontecimentos, estou no caminho.

Esse ano eu escrevi como nunca escrevi na minha vida. Perdi a inspiração, em seguida catei ela. Imaginei nunca mais conseguir escrever e, por fim encontrei-a novamente aonde eu nunca achei que acharia. Toquei em vários assuntos, fui repetitivo, tentei aumentar a variedade e por fim acabei falando das coisas de sempre, do que me faz feliz e do que me deixa triste.

Me senti vazio, sofri em silêncio, chorei, sofri novamente, sofri um pouco mais, sorri, acreditei estar feliz, percebi que nada havia mudado, me senti frustrado e vazio, sofri em silêncio, mas ainda acredito ter motivos para sorrir.  Foi um ano intenso, foi um longo ano. Cheio de compromissos, trabalhos, alguns dias de puro ócio e outros intermináveis.

Aprendi, me arrependi, amadureci, vivi, errei, magoei, me senti morto por dentro, e novamente, vivi. Renovei, me reinventei, reaprendi coisas tão simples, tão comuns no cotidiano que até me envergonho de falar isso. Dei conselhos amorosos. 10 minutos depois fiz tudo aquilo que aconselhei a pessoa à não fazer. 
Me senti sozinho, estive rodeado de pessoas. Achei grandes amigos, perdi contato com alguns. Com outros briguei, e em outros casos, fiz as pazes. Acreditei ser abandonado, encontrei companhias, fiz contatos, fui descartado, descartei pessoas e opções dadas. Fui uma confusão ambulante, por vezes sendo incrivelmente contraditório e confundindo até a mim mesmo. Confundi amor com sexo. Confundi sexo com amor. Confundi amizade com amor, amor com amizade. Percebi que não entendo nada de relacionamentos. Aprendi que ciúmes não é nada mais do que amor e ódio ao mesmo tempo.

Fiz trabalhos ótimos. Fiz trabalhos horríveis. Fiz um blog de esportes, não vingou. Arquivei projetos, trabalhei em alguns. Voltei a desenhar. Consegui meu primeiro emprego (mesmo que digam que estagiário não trabalha). Cheguei várias vezes atrasado no trabalho. Por vezes me adiantei em relação ao meu chefe. Fui voluntário, faltei compromissos. Aprendi bastante com professores. Não entendi algumas matérias. Amei minha faculdade. Odiei ela. Depois voltei à gostar. Me conformei com os defeitos dela. Acreditei (e até o momento, acredito) ter feito a escolha certa.

Fiquei horas no computador. Ouvi música boa. Ouvi música ruim. Viciei em alguns artistas, enjoei de outros. Conheci ótimas músicas. Ouvi as mesmas músicas velhas. Enjoei do Facebook. Viciei de vez no Twitter. Larguei o MSN. Voltei ao MSN. Me distanciei de todas as redes sociais. Não consegui ficar muito tempo longe. Fiz tudo aquilo que falei que não faria. Não fiz nem metade do que planejei para o ano. Por vezes quis que o ano acabasse, desejei não ter passado por algumas coisas, mas no fim vi que era preciso tudo aquilo. Sofrimento, tristeza, dor, perdão, paralisia sentimental, vazio existencial, euforia, satisfação, sentimento de realização, sentimento de fracasso.


Eu ainda não sei o que esperar de 2013. Nem ao menos sei analisar se 2012 foi um ano bom ou ruim. Eu apenas sei que de todas as coisas que passaram, muitas eu levarei para o próximo ano e outras deixarei em caixas, guardadas no meu armário de lembranças. Como eu disse, sou uma interrogação, e aprendi a gostar disso. Aprendi a gostar de ser. Não quero ser algo concreto, que nunca muda, que não revê seus conceitos e muda a forma de ver algo. Ao contrário da maioria das pessoas, eu não sei o que esperar de 2013, nem quero pensar, apenas quero que as coisas aconteçam. Esse é o jeito que as coisas funcionam.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ensaios sobre os sonhos


Eu ainda tenho sonhos. Sonhos dos quais eu não lembro. Eu tenho sonhos enterrados pelas decepções massantes ao passar do tempo. Ainda sonho em um dia os realizar.
Ao norte de mim, na parte mais selvagem de um ser humano em reparos eternos. Ao norte, atrás de trincheiras existe uma legião de soldados pedindo paz nessa minha eterna guerra interna. Existe um grupo de prisioneiros das minhas lembranças gritando por liberdade.
Atrás deste coração despeçado ainda existe fé nas pessoas e em si mesmo. Nas entranhas mais escuras é possível ver revolta, partes de mim incomodadas com a acomodação de tantos sonhos e expectativas arquivadas.
Martin Luther King teve um sonho. Eu ainda tenho alguns, e estou na procura deles.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Ensaios sobre fantasmas

Tem gente que pensa que fantasmas são aqueles seres com um pano branco por cima. E não são esses aos quais me refiro, e sim aqueles que deixaram de viver e tampouco estão mortos por dentro. São mortos-vivos que vagam pelas nossas vidas sem nem a gente perceber. Pessoas como eu, como você, escondidas atrás de sorrisos e prestígio social. O que haverá por dentro da janela das almas desses desprovidos de emoção? 
Quando passo por construções inacabadas ou prédios velhos sempre penso que eles estão cheio de fantasmas, daqueles que não vivem mais, mas ainda se fazem presentes. As persianas descidas sempre me intrigaram, janelas trancadas que não permitem a claridade entrar também. 
São como as caras fechadas e olhares sem brilho. Tudo isso me assusta, mais do que os fantasmas convencionais. Na verdade, me amedrontaram, pois tenho medo das coisas que se ocultam atrás de silêncios. Essas coisas que eu não vejo e dificilmente um dia vou saber me fazem tremer. 
Sei que é bobagem, assim como um medo infantil. Não há nem mesmo sombras se delineando na ausência de luz. Mas quem convence o sujeito sozinho e medroso de que o escuro não abriga os fantasmas da sua mente? 
O crime, a violência, são coisas concretas. E é muito mais fácil discutir sobre a possibilidade de ser assaltado ou baleado do que sobre medos do imaginário, que nada tem de racional. O real age e sua ação motiva uma respostas. 
Como eles me acharam aqui? O que eles querem de mim? Eu apenas quero me lançar longe dessa escuridão. Não são mais os filmes que me dão medo, nem mesmo as sombras e sim os problemas reais. Eles, tão reais quanto nossas alegrias passageiras. Até onde vão? O que farão comigo? Esses fantasmas que estão dentro de mim. Esses fantasmas que não me deixam dormir.

*Trechos retirados do livro Posso falar com você de Ivete Brandalise

sábado, 15 de dezembro de 2012

Ensaios de um adeus

Ela fez as malas e foi embora. Nem deixou bilhete, carta ou algo do tipo, foi sem se despedir. Sem deixar rastros, ainda que eu conte seus passos na sala de estar. E eu não sei o que mais me machuca: a falta de um adeus ou não saber como seguir em frente. Todos os dias ensaio uma forma diferente de me despedir dela. Em algumas sou eu que levo suas malas para o táxi, em outras ela me dá um beijo e vai embora. Já inventei vários fins para essa história interminável. Já coloquei tantos elementos nesse meu conto imaginário: ela já foi embora de carro, a pé, táxi e ônibus, mas de certa forma, ela nunca foi embora. Não de mim, não daqui. 
Foram minhas fraquezas, incertezas ou meu jeito que afastou ela? Não sei, sempre caio nessa armadilha de opções infinitas. 'Vai ver, não era pra ser, né? Acho que nos encontramos na época errada de nossas vidas. Ou então, ela está esperando eu ir atrás dela', penso eu, ingenuamente. Provavelmente ela está feliz, e sabe que mulher quando desapega é de uma vez por todas, não existe nada que faça elas mudarem de ideia. 
Mas enfim, odeio esse papo feminista. Ela costumava falar isso quando eu soltava uma piada sem graça sobre esses assuntos. Será que foi isso que a fez ir? Esses dias mesmo eu tava mexendo na gaveta e achei todas as nossas lembranças. Passei a tarde sentado no quarto lendo na maior paz, na minha solidão libertadora, na minha prisão enclausurada do passado. E aproveitei pra colocar aquelas músicas que gravei para uns cds que dei pra minha eterna amada. Provavelmente hoje eles estão no lixo, ou no bidê, ou junto com aquela caixa que eu te dei. Te lembra? Naquele verão fazíamos uns 5, 6 meses... não sei, sempre fui meio ruim com datas, sempre me perdi no calendário... 
Droga, me perdi mais uma vez. Tentando te encontrar me perdi mais uma vez.  E quando eu olho pra janela, a chuva é o reflexo do meu corpo e o céu escuro não se compara em nada com a escuridão da minha mente. Na minha mente nada estaria acontecendo dessa forma, não assim, não agora, não ela!
Poderia não ser assim. Poderia não ser um adeus, podia ser um até breve ou já volto. Mas não é, e nunca vai ser. Pelo menos você me deixou inspiração para continuar aquilo que pra mim nunca acabou. Quem sabe eu junte forças pra escrever um ponto final nisso.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ensaios sobre a tristeza

Edgar Allan Poe morreu sozinho e bêbado. Ainda que fosse um bêbado, Poe sabia o que falava. Por vezes bebia álcool puro para curar sua melancolia. Porém, a sua melancolia o fez imortal. A mesma melancolia transborda em minhas veias e me mata um pouco todo dia. Ela me deixa embriagado e me faz um alcoólatra incurável. No meu caso, a tristeza é meu álcool e você é o motivo de tudo isso.
A solidão é uma droga e tanto, ela mata mais do que as guerras e as doenças. É uma morte não vista que não traz avisos. Morre-se todos os dias um pouco de cada ser humano só, mas continuam andando como zumbis pelas ruas procurando por retribuição. 
Não há como escapar, a tristeza atinge milhares todos os dias. A mesma melancolia que me atinge de manhã e permanece por todo o dia. É a mesma melancolia de Poe, mas espero não morrer como ele: bêbado e sozinho

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ensaios sobre Ana


Ana nunca entendeu, ou nunca quis. Aliás, eu nunca entendi Ana. Ela é uma dessas pessoas que foge de qualquer relação que possa ter um aprofundamento emocional. Seu sorriso é doce como cereja, seu estilo é incomum, diferente das outras meninas. Poderia dizer mulher, mas pra mim ela sempre vai ser menina. Ana é tão menina quanto mulher, com as reclamações de uma pessoa que entrou na vida adulta e alegrias infantis, de gente pequena. 
Nunca saberei dizer se foi Ana que me encontrou ou eu que encontrei ela, e a sua ausência me remete ao sentimento protetor de pai, que zela pela filha que saiu pra conquistar o mundo, com suas roupas nada convencionais e cabelo tingido. 'Cuidado Ana!', o mundo não é tão colorido assim, cuidado menina, não vá se perder por aí de mim.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Ensaios sobre um sábado à noite

Alfredo tem 20 anos. Mora em Porto Alegre sozinho, em um apartamento minúsculo. Pra ele é mais um sábado a noite em casa, sem sair, sem festa e sem balada. Toma água vendo televisão, acende seu cigarro e repensa sua história de vida. 
Cursa Publicidade, frustrado. Queria trabalhar na criação, acabou caindo no atendimento. Filho único, sempre foi mimado. O mais perto de um ser humano que não fossem seus pais, foi sua namorada. Já faz tempo que acabaram e até hoje Alfredo parece anestesiado por isso. Sonha com ela às vezes e pensa em ligar, mas toda vez que cria coragem se lembra de que ela tem um namorado, fazendo seu mundo desabar e sua coragem esvair. Ainda sente falta do carinho dela. Consegue umas transas aqui, outras acola, mas nada demais, nenhuma ligação emocional com ninguém. 
Ele não se importa. Já se acostumou com a rotina. Porto Alegre pra ele é um lugar cheio de almas vazias. Nada o atrai. Apenas quer acabar a faculdade e arranjar um trabalho bom, que pague bem. Sem sonho é sair daquele cubículo, tão pequeno quantos os seus vínculos emocionais. A vizinha do andar de baixo as vezes mexe com ele: 'E as garotas, meu filho?'. Mal sabe ela que a vida amorosa de Alfredo não existe mais, nem mesmo ele. Mais parece um fantasma vagando pelo quarto apertado do que um ser humano. As janelas fechadas não permitem a claridade entrar, mas durante a noite ele observa a cidade pela sacada pequena. Acende mais um cigarro e se distrai com as luzes da cidade que nunca dorme. É apenas mais um sábado e para Alfredo o dia não reserva nada, ao contrário da música de Lulu Santos. 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ensaios de um novo amor

A gente tem um cuidado especial quando uma pessoa entra na sua vida, mesmo que ela você nem saiba como ela entrou. No meu caso, ela está nas entrelinhas, sem muito murmurinho nem essas coisas oficiais. Relacionamentos baseados nas redes sociais não costumam dar certo, e até prefiro ser discreto para ter minha privacidade. Mas como eu sou um romântico tolo, eu não consegui ficar sem falar sobre você.
 É a poesia viva e em andamento. Você é tão bagunçada, garota. Devo ter te achado entre teus livros desarrumados e folhas espalhadas pelo quarto. E é isso que eu amo em você. Tu e as tuas indecisões, decisões e desistências de última hora. Mas arranja um horário pra mim, eu prometo que não te faço esperar e vou embora na hora certa, embora se você quiser ficar mais um pouco, eu não dou bola. Não dá nada, é um belo momento para ficar de bobeira, então arranja um tempo pra gente desperdiçar, você não vai se arrepender. 
Pode espalhar suas coisas por aí, não se importe com a bagunça, a gente dá um jeito. Se quiser pode-se mudar em definitivo, espaços a gente cria, mas o mais importante você já tem e não precisa abdicar. Quase nem vi você chegar e muito menos quero te ver partir. Pode ficar o tempo que quiser, deixa os compromissos pra lá. Essa é sua casa agora se quiser e você, é a morada dos meus sonhos. Não quero aluguel nem nada, apenas um pouco de carinho e um pouco de você. Se tiver algo muito importante, vai, mas volta. Enquanto isso fica um pouco mais, por favor. Deixei um texto ao lado da xícara de café, espero que goste.